la vida es sueño…

calderon 2no dia 1 de janeiro do ano 1600, nasceu em madrid o poeta e dramaturgo pedro calderón de la barca. aos dez anos, perdeu a mãe e, aos quinze, o pai. foi criado em um colégio jesuíta de madrid e estudou leis na universidade de salamanca. aos vinte anos já participava de concursos de poesia. aos vinte e três, estreou sua primeira peça teatral. nos anos que se seguiram, escreveu mais de setenta peças para teatro. calderón morreu aos 81 anos, na cidade em que nasceu, no dia 25 de maio de 1681.

talvez a mais conhecida de suas peças seja la vida es sueño (a vida é sonho). a trama, muitas vezes denominada um drama filosófico, se passa na polônia, durante três dias, cada um deles representado em um ato. o rei, por causa de uma profecia que dizia que seu filho segismundo, recém-nascido, traria desgraça para o reino, condena-o à prisão perpétua. aos súditos, o rei conta que o filho havia morrido ao nascer. no entanto, quando segismundo se torna um homem, o rei acaba por confessar à corte que o filho está vivo e permite que os cortesãos votem se querem, ou não, que segismundo se torne o herdeiro do trono. segismundo é um homem violento e mata um homem. como consequência, ele é drogado e mandado de volta à prisão. ao acordar, contam-lhe que tudo não passou de um sonho. nesse meio tempo, o rei enfrenta uma rebelião que o derrota e os rebeldes vitoriosos se unem para libertar segismundo. mesmo liberto, segismundo ainda pensa que tudo não passa de um sonho. no trecho a seguir, como em hamlet, segismundo se argüi sobre o que é a vida.

final do segundo dia – na cela:
segismundo
és verdad; pues reprimamos
esta fiera condición,
esta furia, esta ambición
por si alguna vez soñamos.
y sí haremos, pues estamos
en mundo tan singular,
que el vivir sólo es soñar;
y la experiencia me enseña
que el hombre que vive sueña
lo que es hasta despertar.

sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte (¡desdicha fuerte!);
¡que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte!

sueña el rico en su riqueza
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende;
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.

yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿qué es la vida? un frenesí.
¿qué es la vida? una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

(Pedro Calderón de la Barca)

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