o vencedor.

Quando, no decorrer da luta da vida, o homem chega a um ponto em que não avança, um suspiro escapa de seu peito – como naquele famoso trecho da Sinfonia em Dó menor de Beethoven,- essa situação não deve perdurar. Ele deve atrelar os cavalos de seu pensamento positivo, uma vez mais, e conduzir a luta até o fim.

“Aquele que nunca descansa,
aquele cujo pensamento almeja de
corpo e alma ao impossível,
esse é o vencedor.”

(I Ching)

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Serás tu um símbolo também?

Psiquetipia (Ou Psicitipia)
Álvaro de Campos

Símbolos. Tudo símbolos
Se calhar, tudo é símbolos…
Serás tu um símbolo também?

Olho, desterrado de ti, as tuas mãos brancas
Postas, com boas maneiras inglesas, sobre a toalha da mesa.
Pessoas independentes de ti…
Olho-as: também serão símbolos?
Então todo o mundo é símbolo e magia?
Se calhar é…
E por que não há de ser?

Símbolos…
Estou cansado de pensar…
Ergo finalmente os olhos para os teus olhos que me olham.
Sorris, sabendo bem em que eu estava pensando…

Meu Deus! e não sabes…
Eu pensava nos símbolos…
Respondo fielmente à tua conversa por cima da mesa…
“It was very strange, wasn’t it?”
“A wfully strange. And how did it end?”
“Well, it didn’t end. It never does, you know.”
Sim, you know… Eu sei…
Sim eu sei…
É o mal dos símbolos, you know.
Yes, I know.
Conversa perfeitamente natural… Mas os símbolos?
Não tiro os olhos de tuas mãos… Quem são elas?
Meu Deus! Os símbolos… Os símbolos…

old memories…

Show Me Love
Robin S

Heartbreaks and promises
I’ve had more than my share
I’m tired of giving my love
And getting nowhere, nowhere

What i need is somebody
Who really cares
I really need a lover,
A lover who wants to be there

It’s been so long since i
Touched a wanting hand
I can’t put my love on the line,
That i hope you’ll understand

So baby if you want me
You’ve got to show me love
Words are so easy to say, oh ah yeah
You’ve got to show me love

I’m tired of getting caught up
In those one night affairs
What i really need is somebody
Who will always be there

Don’t you promise me the world,
All that i’ve already heard
This time around for me baby,
Actions speak louder than words

So if you’re looking for devotion, talk to me
Come with your heart in your hands
Because me love is guaranteed

So baby if you want me
You’ve got to show me love
Words are so easy to say, oh ah yeah
You’ve got to show me love

Show me, show me baby
Show me, show me baby
Show me, show me baby
Show me, show me baby

Heartbreaks and promises,
I’ve had more than my share
I’m tired of giving my love
And getting nowhere, nowhere

What i really need is somebody
Who will always be there
This time around for me baby,
Actions speak louder than words

If you’re looking for devotion,
Talk to me
Come with your heart in your hands
Because me love is guaranteed

So baby if you want me
You’ve got to show me love
Words are so easy to say, oh ah yeah
You’ve got to show me love

There’s nothing that you can tell me
You’ve got to show me love
There’s only one key to my heart
You’ve got to show me love

Show me, show me baby
You’ve got to give it to me,
Give it to me, give it to me yeah
I don’t want no fakes, don’t want no phoney
I need you love

Show me, show me, show me baby
Give it to me, give it to me
I am not a toy, i’m not a play thang
You’ve got to understand

If you’re looking for devotion,
Talk to me
Come with your heart in your hands
Because me love is guaranteed…

Yeah yeah yeah yeah yeah!

Amores silenciosos

CONTARDO CALLIGARIS

Amores silenciosos

A gente se declara apaixonado porque está apaixonado ou pelo prazer de se apaixonar?

FAZER E RECEBER declarações de amor é quase sempre prazeroso. O mesmo vale, aliás, para todos os sentimentos: mesmo quando dizemos a alguém, olho no olho, “Eu te odeio”, o medo da brutalidade de nossas palavras não exclui uma forma selvagem de prazer.
De fato, há um prazer na própria intensidade dos sentimentos; por isso, desconfio um pouco das palavras com as quais os manifestamos. Tomando o exemplo do amor, nunca sei se a gente se declara apaixonado porque, de fato, ama ou, então, diz que está apaixonado pelo prazer de se apaixonar.
Simplificando, há duas grandes categorias de expressões: constatativas e performativas.
Se digo “Está chovendo”, a frase pode ser verdadeira se estamos num dia de chuva ou falsa se faz sol; de qualquer forma, mentindo ou não, é uma frase que descreve, constata um fato que não depende dela.
Se digo “Eu declaro a guerra”, minha declaração será legítima se eu for imperador ou será um capricho da imaginação se eu for simples cidadão; de qualquer forma, capricho ou não, é uma frase que não constata, mas produz (ou quer produzir) um fato. Se eu tiver a autoridade necessária, a guerra estará declarada porque eu disse que declarei a guerra. Minha “performance” discursiva é o próprio acontecimento do qual se trata (a declaração de guerra).
Pois bem, nunca sei se as declarações de amor são constatativas (“Digo que amo porque constato que amo”) ou performativas (“Acabo amando à força de dizer que amo”). E isso se aplica à maioria dos sentimentos.
Recentemente, uma jovem, por quem tenho estima e carinho, confiava-me sua dor pela separação que ela estava vivendo. Ao escutá-la, eu pensava que expressar seus sentimentos devia ser, para ela, um alívio, mas que, de uma certa forma, seria melhor se ela não falasse. Por quê?
Justamente, era como se a falta do namorado (de quem ela tinha se separado por várias e boas razões), a sensação de perda etc. fossem intensificadas por suas palavras, e talvez mais que intensificadas: produzidas.
É uma experiência comum: externamos nossos sentimentos para vivê-los mais intensamente – para encontrar as lágrimas que, sem isso, não jorrariam ou a alegria que talvez, sem isso, fosse menor. Nada contra: sou a favor da intensidade das experiências, mesmo das dolorosas. Mas há dois problemas.
O primeiro é que o entusiasmo com o qual expressamos nossos sentimentos pode simplificá-los. Ao declarar meu amor, por exemplo, esqueço conflitos e nuances. No entusiasmo do “te amo”, deixo de lado complementos incômodos (“Te amo, assim como amo outras e outros” ou “Te amo, aqui, agora, só sob este céu”) e adversativas que atrapalhariam a declaração com o peso do passado ou a urgência de sonhos nos quais o amor que declaro não se enquadra.
O segundo problema é que nossa verborragia amorosa atropela o outro. A complexidade de seus sentimentos se perde na simplificação dos nossos, e sua resposta (“Também te amo”), de repente, não vale mais nada (“Eu disse primeiro”).
Por isso, no fundo, meu ideal de relação amorosa é silencioso, contido, pudico.
Para contrabalançar os romances e filmes em que o amor triunfa ao ser dito e redito, como um performativo que inventa e força o sentimento, sugiro dois extraordinários romances breves, de Alessandro Baricco, o escritor italiano que estará na Festa Literária Internacional de Parati, na próxima semana: “Seda” e “Sem Sangue” (ambos Companhia das Letras).
Nos dois, a intensidade do amor se impõe com uma extrema economia de palavras (“Sem Sangue”) ou sem palavra nenhuma (“Seda”). Nos dois, o silêncio permite que o amor vingue – apesar de ele não poder ser dito ou talvez por isso mesmo.
No caso de “Seda”: te amo em silêncio porque te encontro ao limite extremo de uma viagem ao fim do mundo, indissociavelmente ligada a um outro, e nem sei falar tua língua.
Você me ama em silêncio porque sou outro: uma aparição efêmera, uma ave migrante.
No caso de “Sem Sangue”: te amo, e não há como falar disso porque te dei e te tirei a vida. E você me ama pelas mesmas razões pelas quais poderia e deveria querer me matar (os leitores entenderão).
Nos dois romances, a ausência da fala amorosa acaba sendo um presente que os amantes se fazem reciprocamente, uma forma extrema (e freqüentemente perdida) de respeito pela complexidade de nossos sentimentos e dos sentimentos do outro que amamos.

publicado no Jornal Folha de S.Paulo em 26 de junho de 2008.

Walk my way and a thousand violins begin to play…

Em 1954 o pianista Errol Garner compunha “Misty”. Originalmente instrumental, recebeu letra de autoria de Johnny Burke. A versão cantada por Sarah Vaughn é uma das mais maravilhosas!

Misty

Look at me, I’m as helpless as a kitten up a tree
And I feel like I’m clingin’ to a cloud
I can’t understand
I get misty just holding your hand

Walk my way
And a thousand violins begin to play
Or it might be the sound of your hello
That music I hear
I get misty the moment you’re near

Cant you see that you’re leading me on?
And its just what I want you to do
Don’t you notice how hopelessly I’m lost
That’s why I’m following you

On my own
When I wander through this wonderland alone
Never knowing my right foot from my left
My hat from my glove
I’m too misty and too much in love

La casa

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada.
Ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão.
Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede.
Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali,
mas era feita com pororó, era a casa de Vilaró”.

Vinícius de Moraes