Estou felizmente mais doida

Cadê eu? perguntava-me. E quem respondia era uma estranha que me dizia fria e
categoricamente: tu és tu mesma.
Sou hábil em formar teoria.
Faço perguntas a uma audiência invisível e esta me anima com as respostas a prosseguir.
Depois que eu recuperei meu contato comigo é que me fecundei e o resultado foi o nascimento
alvoroçado de um prazer todo diferente do que chamam prazer.

(…)

Estou felizmente mais doida.
Será que a polícia me pega? Me pega porque existo? paga-se com prisão a vida: palavra linda,
orgânica, sestrosa, pleonástica, espérmica, duróbila.
Ela tem que levar uma vida pacata, bem acomodada, bem burguesa. Senão a loucura vem. É
perigoso.
É preciso calar a boca e nada contar sobre o que se sabe e o que se sabe é tanto, e é tão glorioso.
Sei criar silêncio.
Para tudo: criei o silêncio.
Sinto em mim uma violência subterrânea,
violência que só vem à tona no ato de escrever.
Depende de mim o seu destino?
Ver é a pura loucura do corpo.
Vida imaginária é viver do passado ou para o futuro.

(…)

Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu segredo?

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